Assembleia lança cinco livros da coleção "Gente da Bahia"

Publicado em: 10/12/2013

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Capas das obras literárias que serão lançadas hoje à tarde no Legislativo

A Assembleia Legislativa lança hoje, a partir das 17h, cinco novos livros da coleção "Gente da Bahia", selo dedicado à preservação da memória de baianos – natos ou por adoção – que marcaram a história recente do estado nos mais variados campos de atuação. Os volumes agora lançados trazem os perfis de personalidades múltiplas como o acadêmico, deputado e jornalista Jorge Calmon; o compositor e homem de rádio Assis Valente; o fotógrafo e arquiteto Sílvio Robatto; o empresário e cineasta Rex Schindler; e o criador de cabras, escritor e político Euclides Neto. Iniciada em janeiro de 2008, a coleção chega ao 30º tomo.
Na apresentação dos livros que integram essa coleção, o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo, salienta a diversidade e a importância da obra – e da vida – de cada um dos personagens agora homenageados. Nilo diz que eles foram expoentes de uma época, de uma Bahia diferente, mais lenta, cordata, desconhecida das novas gerações e que foi marcada por baianos excepcionais: ainda que nascidos em países tão diferentes como Argentina, Suíça e Alemanha, como aconteceu com Carybé, Walter Smetak e Hansen Bahia, "responsáveis mesmo pelo que se convencionou chamar de baianidade", completa.  
                                                    TRABALHO
 
 
As obras agora lançadas foram escritas por jornalistas – Francis Juliano, Symona Gropper, Giovani Giocondo, Lilian de Souza – e pelo radialista J. Pimentel, que estreiam na literatura. Portanto, a coleção "Gente da Bahia" permitiu à Assembleia Legislativa, além do fomento à cultura e história de nossa gente, revelar talentos novos das letras baianas. Entre os 30 livros produzidos e impressos (tiragem de 1.500 exemplares), a maioria é de neófitos, embora alguns escritores já reconhecidos estejam presentes.
A coleção "Gente da Bahia" foi inaugurada em janeiro de 2008 e cinco outros títulos se encontram em edição traçando os perfis de Lage, o cartunista; Cristóvão Ferreira, ex-deputado estadual; Biriba, craque do Esporte Clube Bahia campeão brasileiro em 1959; do reitor Edgard Santos e do economista Rômulo Almeida – com lançamento previsto para maio de 2014.  
                                                 EDIÇÕES ALBA
 
 
O projeto editorial do Legislativo engloba outros selos e coleções abrigando obras de maior porte, como o Ponte da Memória, que relança livros de inegável valor literário/memorialista ou ainda dedicado à recepção de trabalhos inéditos, como o Primeira Edição, contribuindo para a elevação cultural da Bahia e dos baianos. Porém, sem buscar competir com o mercado editorial, buscando sim a supressão de lacunas existentes. Neste cenário cumpre lembrar que o formato dos perfis traçados na coleção "Gente da Bahia" é jornalístico, com a hierarquização dos dados colhidos e distribuídos no texto da maneira mais objetiva possível.
O lançamento acontecerá no saguão Nestor Duarte da Assembleia que é contíguo ao plenário, local em que os autores autografarão seus livros. Do alto de seus 91 anos, Rex Schindler é o único sobrevivente entre os biografados. Familiares dos demais, exceto a filha de Assis Valente, Nara Nadyle, que mora no Rio de Janeiro, confirmaram presença. Os 25 volumes de baianos publicados anteriormente englobaram personagens como os artistas plásticos Carybé, Hansen Bahia, Juarez Paraíso e Calasans Neto.
E também músicos como o erudito Lindemberg Cardoso e Walter Smetak, ou populares como Riachão, Gordurinha e o pianista Carlos Lacerda. Cineastas como Roberto Pires. Intelectuais como Milton Santos e Edison Carneiro. E também políticos como o senador Nélson Carneiro e o deputado Chico Pinto. Ou ainda médicos como Juliano Moreira, Aristides Maltez e Elsimar Coutinho. E personagens como o radioescuta Gabriel Saraiva; o agitador cultural Clarindo Silva; a doce louca da rua Chile, a Mulher de Roxo; o alfaiate Spinelli; e o abade dom Timóteo Amoroso.
  Personagens marcaram cultura baiana
ASSIS VALENTE – Felicidade é Brinquedo que não tem foi escrito por J. Pimentel, homem de rádio com currículo invejável, pesquisador de música popular e dono de expressivo acervo de raridades. Ele produziu uma caudalosa obra sobre o imortal compositor baiano. Assis Valente era compositor popular, sambista e teve a carreira impulsionada por sucessos gravados por Carmen Miranda, a partir da década de 30. Ela gravou 24 sucessos dos seus sucessos. Assis Valente é autor de clássicos como Camisa Listrada (Vesti uma camisa listada e saí por aí...) e clássicos como Cai Cai Balão e Boas Festas (Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...). Depressivo, suicidou-se aos 27 anos, em 1958, após três tentativas frustradas. Deixou uma filha que vive no Rio de Janeiro.
SÍLVIO ROBATTO – Um Homem Feliz foi pesquisado e escrito por Symona Gropper, experiente jornalista de cultura que editou o extinto Caderno Cultural de A Tarde, criado por Florisvaldo Mattos e que marcou o jornalismo da Bahia por sua alta qualidade. Sílvio Robatto foi talentoso em tudo, especialmente em fazer amigos e viver uma vida plena, sendo também reconhecido arquiteto, professor e fotógrafo. Expoente das artes cênicas baianas com a sua viúva, a coreógrafa Lia Robatto, foi velejador e incentivador da criação do Yatch Club da Bahia. Entre os seus projetos mais conhecidos estão os Centros de Cultura espalhados em cidades de médio porte. Projetou também ainda a Casa de Vinícius de Morais em Itapuã. Como fotógrafo foi um inovador sempre atento para o que de melhor a tecnologia proporcionou. Morreu em 2008.
JORGE CALMON – Um Mestre do Jornalismo da Bahia foi escrito pelo jovem e talentoso Francis Juliano, que demonstrou alto poder de concisão para resgatar as várias facetas desse homem notável. Jorge Calmon foi jornalista, acadêmico, deputado estadual em dois mandatos, 1947 e 1951, ministro do TCE, e secretário de Justiça e da Casa Civil do governo estadual. Foi ainda diretor e redator-chefe de A Tarde e permaneceu no jornal por mais de 50 anos. Marcou época na imprensa baiana pelo equilíbrio e discernimento – sendo responsável direto pela manutenção do legado de Simões Filho, de editar um jornal moderno, objetivo e comprometido com as causas maiores da Bahia e dos baianos. Intelectual, fomentou a cultura participando de inúmeras instituições de relevo. Faleceu em 2006.
REX SCHINDLER – Produtor da Inquietude Criativa é um trabalho do apaixonado por cinema Giovanni Giocondo, agora trabalhando em São Paulo. Ele conseguiu trazer a lume a intensa atividade de gênios da sétima arte na Bahia, que superando dificuldades técnicas e a crônica falta de recursos, inseriram nosso estado no seleto grupo de centros produtores de um cinema voltado para a realidade brasileira que aliou qualidade ao sucesso de bilheteria. Rex Schindler foi figura central do Ciclo de Cinema da Bahia nos anos 1960, produziu Barravento com Roberto Pires (o primeiro longa da Bahia). Diretor de A Grande Feira e Tocaia Grande, dois sucessos do nosso cinema, é também argumentista, montador e escritor de livros e roteiros. Encantou-se e promoveu Glauber Rocha. Médico, nunca exerceu a profissão. Como empresário, bancou a produção de inúmeros filmes, chegando a vender imóveis para pagar promissórias.
EUCLIDES NETO – Pioneiro da Reforma Agrária e Literato do Povo é resultado do mergulho da talentosa Lílian de Souza na vida (sempre interligada com a obra) de um político icônico. Ele era advogado (nunca a favor de empresas agrícolas, sempre do lado dos trabalhadores), criador de cabras, romancista, prefeito de Ipiaú e, acima de tudo, defensor da reforma agrária, do homem do campo e dos ecossistemas principais da Bahia, a caatinga e a mata atlântica. Homem de esquerda moderada, foi secretário da Reforma Agrária e Cooperativismo na gestão do governador Waldir Pires. Implantou a Fazenda do Povo na sua Ipiaú, distribuindo terras. A sua literatura (são 13 títulos), é voltada para os problemas do homem do campo. Faleceu em abril de 2000.  

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